Imunocamp
 
Importância das Vacinas  
 
O programa de imunização visa, em primeira instância, a ampla extensão da cobertura vacinal, para alcançar adequado grau de proteção imunitária da população contra as doenças transmissíveis por ele abrangidas. Entretanto, observa-se, com freqüência, a ocorrência de contra-indicações desnecessárias, baseadas em conjecturas teóricas ou em conceitos desatualizados, com perda da oportunidade do encontro do indivíduo com o serviço de saúde e conseqüente comprometimento da cobertura vacinal.
 
CONTRA-INDICAÇÕES GERAIS
As vacinas de bactérias atenuadas ou vírus vivos atenuados, em princípio, não devem ser administradas a pessoas:

com imunodeficiência congênita ou adquirida;
acometidas de neoplasia maligna;
em tratamento com corticosteróides em dose alta (equivalente a prednisona na dose de 2mg/kg/dia ou mais, para
  crianças, ou de 20 mg/dia ou mais, para adultos, por mais de duas semanas) ou submetidas a outras terapêuticas
  imunodepressoras .
grávidas (salvo situações de alto risco de exposição a algumas doenças virais imunopreveníveis, como, por exemplo,
  febre amarela). Ressalte-se que, mesmo em países onde o abortamento por possível infecção do feto conta com
  respaldo legal, a vacinação inadvertida durante a gravidez não constitui indicação para a sua interrupção.
 
SITUAÇÕES EM QUE SE RECOMENDA O ADIAMENTO DA VACINAÇÃO

Até três meses após o tratamento com imunodepressores ou com corticosteróides em dose alta. Esta recomendação é
  válida inclusive para vacinas de componentes e de organismos mortos ou inativados, pela possível inadequação da
  resposta.
Administração de imunoglobulina ou de sangue e derivados, devido à possibilidade de que os anticorpos presentes
  nesses produtos neutralizem o vírus vacinal. Esta recomendação é válida para as vacinas que contém vírus vivo atenuado.
  Elas devem ser administradas nas duas semanas que antecedem ou até três meses após o uso de imunoglobulina ou de sangue e derivados.
Durante a evolução de doenças agudas febris graves, sobretudo para que seus sinais e sintomas não sejam atribuídos
  ou confundidos com possíveis efeitos adversos das vacinas.

 
FALSAS CONTRA-INDICAÇÕES À VACINAÇÃO

Afecções comuns, como doenças infecciosas ou alérgicas do trato respiratório superior com tosse e/ou coriza; diarréia
  leve ou moderada; doenças da pele (lesões impetiginosas esparsas; escabiose).
História e/ou diagnóstico clínico pregressos de tuberculose, hepatite B, coqueluche, difteria, tétano, poliomielite,
  sarampo, caxumba, rubéola e febre amarela, no que diz respeito à aplicação das respectivas vacinas.
Desnutrição.
Uso de qualquer tipo de antimicrobiano.
Vacinação contra a raiva.
Doença neurológica estável (exemplo: convulsão controlada) ou pregressa, com seqüela presente.
Antecedente familiar de convulsão.
Tratamento sistêmico com corticosteróides nas seguintes situações: curta duração (inferior a duas semanas),
  independentemente da dose; doses baixas ou moderadas, independentemente do tempo; tratamento prolongado, em
  dias alternados, com corticosteróides de ação curta; doses de manutenção fisiológica.
Alergias (exceto as relacionadas com os componentes das vacinas).
Prematuridade ou baixo peso ao nascimento. Nestes casos não se deve adiar o início da vacinação (exceção: vacina
  BCG - ver capítulo correspondente).
Internação hospitalar. Esta é uma ótima oportunidade para atualizar o esquema de vacinações, desde que não haja
  contra-indicação formal.

Nota: Quando do uso seqüencial de vacinas de vírus vivos, deve-se respeitar o intervalo mínimo de 2 (duas) semanas, exceto no caso da vacina contra a poliomielite (que pode ser administrada com qualquer intervalo, antes ou depois de outras vacinas de vírus vivos).

SITUAÇÕES ESPECIAIS

Surtos ou epidemias
Na vigência de surto ou epidemia de doenças abrangidas pelo Programa podem ser desencadeadas medidas de controle, tais como vacinação em massa da população alvo (exemplos: Estado, Município, Creches) e que não precisam estar implícitas na Norma de Vacinação (exemplos: extensão da faixa etária, doses de reforço e outras).

Campanha e/ou intensificação de vacinação
São estratégias que visam o controle de doenças de maneira intensiva ou a extensão da cobertura vacinal para complementação do serviço de rotina. Na campanha e na intensificação, as orientações para execução de vacinação são adequadas à estratégia em questão e também não necessitam estar prescritas na Norma de Vacinação.

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS)
Às crianças infectadas, reconhecidas por meio de provas sorológicas positivas, poderão ser administradas todas as vacinas previstas no calendário vacinal, conforme o esquema estabelecido.

Quanto aos doentes com AIDS, essa mesma conduta é válida, fazendo exceção o BCG, que não deve ser usado. Nestes pacientes, a vacina oral contra a poliomielite não é contra-indicada; entretanto, havendo a disponibilidade da vacina de vírus inativados, deve-se dar preferência a esta.

EVENTOS ADVERSOS PÓS-IMUNIZAÇÃO

As vacinas são constituídas por diversos componentes biológicos e químicos que, ainda hoje, apesar de aprimorados processos de produção e purificação, podem produzir efeitos indesejáveis. A incidência desses eventos varia conforme características do produto, da pessoa a ser vacinada e do modo de administração.

Algumas manifestações são esperadas após o emprego de determinadas vacinas e, geralmente benignas, correspondem a distúrbios passageiros e a leve desconforto, com evolução autolimitada (exemplo: febre após vacinação contra o sarampo). Raramente, porém, podem ocorrer formas mais graves, levando a comprometimento, temporário ou permanente, de função local, neurológica ou sistêmica, capaz de motivar seqüelas e até mesmo óbito. Convém referir que nem sempre os mecanismos fisiopatológicos de tais acontecimentos são conhecidos.

Havendo associação temporal entre a aplicação da vacina e a ocorrência de determinadas manifestações, considera-se possível a existência de vínculo causal entre esses dois fatos. Cabe lembrar, no entanto, que esta associação pode decorrer apenas de uma coincidência.

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